sábado, 28 de março de 2015

A MUSA INSPIRADORA VISITA O LAR DO POETA MORTO

- VISITA:
Bem-vinda à minha sepultura,
Meu jazigo eterno e sombrio
Que às margens serenas de um rio
Minha alma além assegura.


- OFERENDA:
Não trazes oferenda, querida?
Nem rezas por mim um rosário?
Durante toda a passagem terrestre,
Em tuas mãos não passei de um otário.

- A FOTO:
Espero que olhes a foto,
Como nunca meus olhos fitastes.
Cuspa em mim, pelo beijos,
Que sempre pedi e negastes.

- A CULPA:
Não culpo-a pela minha morte
Somente aos meus sofrimentos
Pois minha’lma sublime e etérea
De sofrer, goza no firmamento.

- À NOITE:
E quando as estrelas à noite
Cintilam anunciando a lua,
Eu vejo teus passos levianos
Cortando o horizonte das ruas.

- O ESPIÃO:
Não penses que não a acompanho
E que livre de mim, tu estás...
Ainda a paquero, persigo-a
Sei de tudo, o que fez -o que faz.

- A CRUZ:
Espero que olhes a cruz
E veja meu nome gravado.
Toque-a, sinta meu corpo,
Que desfez-se pelo teu pecado.

- O ADEUS:
Não finja agora enternecida
E não derrame sequer, aos olhos meus...
Pois não é a primeira vez que partes,
Adeus, minha querida,... Adeus.

Odilon de Oliveira

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