- Hum, deixe-me ver se entendi direito, está me dizendo que eu sou mesmo
uma bruxa? Tipo, aquelas que voam em vassouras e preparam poções
mágicas com ingredientes bizarros? Ai, ai, devo ser sim, pois, pelo
andar da carruagem, eu estou ficando sem opções.
"Podes fazer o que quiseres, desde que não prejudiques ninguém".
quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
TUA MORTE
Quando para mim, olhares novamente
Almejo que sintas em teu fúnebre caixão;
Pra mim você morreu, efêmera em meu ventre
Ignota e transparente a vagar na solidão.
Queixumes que lavaram o meu âmago penoso
Da dádiva, meu amor, palpitando ao desdém
fizestes o meu mundo onírico, umbroso
Imune a teus olhos, vivo ubíquo, vivo bem.
Quando o forte vento converter-se em calmaria
Lamúrias de teus lábios, em regozijo ouvirei
E a leda alegria que pairava sobre o dia
Tão pujante, silenciosa, de tua desgraça gozarei.
tua sepultura é uma lânguida ferida
Que arde escarniada em meu pobre coração
Eu quero que me esqueças, eternamente oh!... Querida,
E que sinta-se inumada ingloriamente sem razão.
Se um dia encontrares-me agoniado a sofrer
Não venha consolar-me, pois não irei prescindir.
Mas se um dia na euforia, amenizado por vencer
Venha sublinhar-me, pois minha glória há de vir.
Agora presciente mostrarei o teu futuro
"- Caminharás à desgraça, se agires com outro assim
Sua falta de altruísmo construirá seu esconso muro,
E o vento irá soprá-lo até o pó formar teu fim".
Se um dia leres meu nome em alguma elegia
Saibas que fostes minha maior inspiração
Tua atrocidade dolente me feria,
mortificava minha alma e confrangia o coração.
Com os olhos cheios d'água, as pálpebras palpitam
O semblante e as mãos atadas proclamam por perdão:
"- Usufrui termos vulgares, pujantes que implicam,
A tua semelhança sem caráter e devoção".
Odilon de Oliveira
Quando para mim, olhares novamente
Almejo que sintas em teu fúnebre caixão;
Pra mim você morreu, efêmera em meu ventre
Ignota e transparente a vagar na solidão.
Queixumes que lavaram o meu âmago penoso
Da dádiva, meu amor, palpitando ao desdém
fizestes o meu mundo onírico, umbroso
Imune a teus olhos, vivo ubíquo, vivo bem.
Quando o forte vento converter-se em calmaria
Lamúrias de teus lábios, em regozijo ouvirei
E a leda alegria que pairava sobre o dia
Tão pujante, silenciosa, de tua desgraça gozarei.
tua sepultura é uma lânguida ferida
Que arde escarniada em meu pobre coração
Eu quero que me esqueças, eternamente oh!... Querida,
E que sinta-se inumada ingloriamente sem razão.
Se um dia encontrares-me agoniado a sofrer
Não venha consolar-me, pois não irei prescindir.
Mas se um dia na euforia, amenizado por vencer
Venha sublinhar-me, pois minha glória há de vir.
Agora presciente mostrarei o teu futuro
"- Caminharás à desgraça, se agires com outro assim
Sua falta de altruísmo construirá seu esconso muro,
E o vento irá soprá-lo até o pó formar teu fim".
Se um dia leres meu nome em alguma elegia
Saibas que fostes minha maior inspiração
Tua atrocidade dolente me feria,
mortificava minha alma e confrangia o coração.
Com os olhos cheios d'água, as pálpebras palpitam
O semblante e as mãos atadas proclamam por perdão:
"- Usufrui termos vulgares, pujantes que implicam,
A tua semelhança sem caráter e devoção".
Odilon de Oliveira
SERENATA NA ROÇA
A viola geme na choça,
De sapê, é fria a palhoça
Chapéu de palha no chão.
Ramo de mato nos lábios
Filosofia dos sábios:
Astuta flor do sertão.
- Bicho do mato valente,
Armado até os dentes.
Fouce e enxada nas costas
Ao zunir dos vira-bostas
Anunciando a madrugada.
Pés descalços, rachados
Lânguidos... desitratados,
Co’os olhos na temporada.
- Como colher o alimento,
Se não é chegado o momento?
Crianças sujas na rede
Um roto clã na parede
Adormece pós cantarolar.
E a mãe penteia seus filhos
Que após a colheita de milhos
Põem-se a mesa a ceiar.
- Mesa farta do dia,
Rezemos: “Ave-Maria”.
Findo a ceia, fogueira e amigos,
Ao luar, viola e gemidos
Do coiote anunciador;
Chega à lua, divina e nua.
E os hinos n’amplidão flutuam
Como preces a caminho do Senhor.
- Serenata, serenata,
Tudo que o ócio retrata.
Idos tempos, formosa fulgura.
Que o caboclo além assegura
Nessas terras, que temo... ai!
O progresso criou suas casas
E levou adentro as casas
A distância eterna do Pai.
- Vou voltar pro meu sertão,
(Eu te amo..., violão).
ODILON DE OLIVEIRA
AREIAS – 13/06/1997
A viola geme na choça,
De sapê, é fria a palhoça
Chapéu de palha no chão.
Ramo de mato nos lábios
Filosofia dos sábios:
Astuta flor do sertão.
- Bicho do mato valente,
Armado até os dentes.
Fouce e enxada nas costas
Ao zunir dos vira-bostas
Anunciando a madrugada.
Pés descalços, rachados
Lânguidos... desitratados,
Co’os olhos na temporada.
- Como colher o alimento,
Se não é chegado o momento?
Crianças sujas na rede
Um roto clã na parede
Adormece pós cantarolar.
E a mãe penteia seus filhos
Que após a colheita de milhos
Põem-se a mesa a ceiar.
- Mesa farta do dia,
Rezemos: “Ave-Maria”.
Findo a ceia, fogueira e amigos,
Ao luar, viola e gemidos
Do coiote anunciador;
Chega à lua, divina e nua.
E os hinos n’amplidão flutuam
Como preces a caminho do Senhor.
- Serenata, serenata,
Tudo que o ócio retrata.
Idos tempos, formosa fulgura.
Que o caboclo além assegura
Nessas terras, que temo... ai!
O progresso criou suas casas
E levou adentro as casas
A distância eterna do Pai.
- Vou voltar pro meu sertão,
(Eu te amo..., violão).
ODILON DE OLIVEIRA
AREIAS – 13/06/1997
PARA UM E PARA OUTREM
Para os homens eu sou águia
Para as mulheres a presa.
Para a vida eu sou água,
Para a morte natureza;
Para as flores sou orvalho
Para os olhos o anil.
Para os ventos sou retalho,
Para a calmaria, vil.
Para o choro eu sou a cruz
Para o riso uma canção.
Para a alma eu sou a luz,
Para a carne escuridão.
Para a sede eu sou a fonte
Para a fome o alimento;
Para o ódio eu sou a ponte,
Para o amor o firmamento.
Para mim eu sou estória
Para outrem tentação.
Para um peito sou a glória,
Para o outro... Coração.
ODILON DE OLIVEIRA
AREIAS – 04/04/1997
Para os homens eu sou águia
Para as mulheres a presa.
Para a vida eu sou água,
Para a morte natureza;
Para as flores sou orvalho
Para os olhos o anil.
Para os ventos sou retalho,
Para a calmaria, vil.
Para o choro eu sou a cruz
Para o riso uma canção.
Para a alma eu sou a luz,
Para a carne escuridão.
Para a sede eu sou a fonte
Para a fome o alimento;
Para o ódio eu sou a ponte,
Para o amor o firmamento.
Para mim eu sou estória
Para outrem tentação.
Para um peito sou a glória,
Para o outro... Coração.
ODILON DE OLIVEIRA
AREIAS – 04/04/1997
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