quinta-feira, 24 de dezembro de 2015



SERENATA NA ROÇA

A viola geme na choça,
De sapê, é fria a palhoça
Chapéu de palha no chão.
Ramo de mato nos lábios
Filosofia dos sábios:
Astuta flor do sertão.
- Bicho do mato valente,
Armado até os dentes.

Fouce e enxada nas costas
Ao zunir dos vira-bostas
Anunciando a madrugada.
Pés descalços, rachados
Lânguidos... desitratados, 
Co’os olhos na temporada.
- Como colher o alimento,
Se não é chegado o momento?

Crianças sujas na rede
Um roto clã na parede
Adormece pós cantarolar.
E a mãe penteia seus filhos
Que após a colheita de milhos
Põem-se a mesa a ceiar.
- Mesa farta do dia,
Rezemos: “Ave-Maria”.

Findo a ceia, fogueira e amigos,
Ao luar, viola e gemidos
Do coiote anunciador;
Chega à lua, divina e nua.
E os hinos n’amplidão flutuam
Como preces a caminho do Senhor.
- Serenata, serenata,
Tudo que o ócio retrata.

Idos tempos, formosa fulgura.
Que o caboclo além assegura
Nessas terras, que temo... ai!
O progresso criou suas casas
E levou adentro as casas
A distância eterna do Pai.
- Vou voltar pro meu sertão,
(Eu te amo..., violão).

ODILON DE OLIVEIRA
AREIAS – 13/06/1997

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